segunda-feira, 29 de junho de 2009

Transtorno Ciclotímico


Meu time ganhou oito vezes seguidas. Bateu a África do Sul num jogo difícil - jogar contra times africanos tem sido difícil para a Seleção Brasileira há tempos - e bateu os Estados Unidos num jogo espetacular, que é o que se espera do Brasil.

E foi campeão da Copa das Confederações pela terceira vez. Sem perder ou empatar um jogo.

Levou de quebra o troféu para o Artilheiro, o troféu de Equipe mais Disciplinada e o troféu de Melhor Jogador. Quatro canecas no pacote.

Ontem, na final, a cidade de São Paulo se permitiu soltar fogos e algumas televisões tímidas apareceram nos postos de gasolina. Os primeiros fogos para a Seleção Brasileira neste ano, apesar dos 20 gols anteriores sem derrota.

Vou esperar agora meu time perder. Para ver os ciclotímicos de plantão - quase todos os jornalistas e quase todos os brasileiros - pedirem de novo a cabeça do Técnico, ou a renovação dos quadros, ou mesmo a volta dos veteranos arrastando suas gorduras.

No momento, só o que vejo é um discurso hipomaníaco de Hexa 2010. Como se fosse fácil ganhar Copa do Mundo.

Mario Avila é esquizofrênico, mas não é ciclotímico.


domingo, 28 de junho de 2009

Próximas quatro rodadas


Funciona assim: depois de hoje, há quatro times em condição de arrancar para uma liderança isolada. Não que isso vá acontecer.

O Atlético Mineiro não podia ter perdido em Barueri. Perdeu junto a chance de descolar três importantes pontos e deixou aberta a disputa pela liderança. Agora, apesar de jogar em casa os próximos jogos, só tem o Botafogo como favas contadas - depois de Barueri, contadas sob suspeita. Na sequência, joga contra Cruzeiro e São Paulo. E aí, pega o Vitória na Bahia.

O Vitória pode e não pode disparar. Tem pela frente times irregulares, como o Flamengo e o Santos, em casa e fora de casa; e tem a favor um jeito de jogar mais incisivo. Está mais para abrir vantagem que não.

Melhor de todos está o Internacional, que joga fora de casa contra o Náutico e o Atlético Paranaense, e só vai ter pedreira mesmo no quarto jogo, contra o Grêmio.

Se esses três, Atlético Mineiro, Vitória e Inter não aproveitarem, a vaga é do Palmeiras. No segundo bloco, esse é o único hoje que pode aparecer para fazer diferença. O resto ainda não saiu da mediocridade.

Ah, não falei do Barueri porque quero ver pessoalmente o time inédito.

Mario Avila espera ansioso os times se dedicarem de fato ao Brasileirão 2009.


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Time tem alma?


Ninguém sofre maior ingratidão do que o goleiro. Ao atacante, resta sempre um novo cruzamento; ao meiocampista, sempre um desarme. O que resta ao goleiro?

Buscar a bola no fundo da rede. O espetáculo espetacular de duas defesas espetaculares seguidas é desarmado pelo barulho do plástico - ruaaaaaá! A bola escorre rede abaixo, geralmente com força.

É a adrenalina ao contrário, ou melhor, a adrenalina faltando. Gerúndio da derrota, tomar um gol é a pior coisa do mundo. E o goleiro personifica isso, sua cabeça baixa, seu esporro inútil.

Rogério Ceni apareceu hoje. Desde que saiu, o São Paulo é um problema. Pode assim um homem ser tão valioso? 74 dias depois, o São Paulo é um problema.

Não que não houvesse sinais e predições: tricampeão brasileiro embalado, uma hora há de cair. E Rogério vinha com lesões desde o começo do Campeonato Paulista.

Mas a falta de esprit de corps do São Paulo incomoda. Esprit de corps como força capaz de manter coeso um grupo; por objetivos comuns, por egoísmo tribal, por.

E chama a atenção: é possível um único homem - e um homem que administra o gerúndio da derrota - ser tão importante para o esprit de corps? Não faz sentido.

Saberemos. Rogério voltará no meio do Campeonato Brasileiro. E vamos saber que diferença fez em um time visivelmente abobalhado. Como se já não soubéssemos.

Mario Avila duvida que o São Paulo se resolva sem Rogério Ceni.


domingo, 21 de junho de 2009

Meu time ganhou seis vezes seguidas

Sem falsa modéstia, meu time ganhou seis vezes seguidas: do Peru, do Uruguai, do Paraguai, do Egito, dos Estados Unidos e da Itália. Fez 19 gols e levou 4. Nada mal, nada mal mesmo.

As três últimas vitórias estão associadas à permanência do grupo em trabalho contínuo - coisa sempre escassa para a Seleção Brasileira.


O que Dunga quer? - Um time elástico, capaz de aguentar bolada de um adversário agressivo e se expandir rapidamente, em golpes objetivos. O objetivo? - Fazer gol, ué.

Um time assim exige duas coisas: disciplina e forma física. Disciplina para não se açodar - pode não haver espaço por longos noventa minutos. Ou, o que vai acontecer daqui a pouco: o adversário não vai subir. Vai ficar entocado lá atrás, esperando o Brasil sair. Aí, vai fazer um gol e se entocar de novo.

Forma física pelo óbvio. Se o Técnico manda você ficar recuado e sair na carreira em direção ao gol quando pegar a bola em condições, precisa estar preparado para correr o tempo todo. E o tempo todo são noventa minutos.

Daí a supremacia de sujeitos velozes: Ramires parece um corredor de maratona; Kaká prescinde apresentações em suas carreiras com a bola; Robinho também é leve e Luiz Fabiano chega a ser superestimado por seus companheiros com sua capacidade de correr - e lhe mandam muitas vezes bolas longas demais.

O que lembra outras falhas, estas mais sérias: o time é destro. Vai muito pelo centro o tempo todo, atrás, no meio e na frente. E quando precisa de opções, só cai pela direita.

A exceção esquerda é o espantoso Lúcio. Faz alguns jogos, o Capitão observa e usa o vazio do Brasil pela esquerda. Como ninguém nunca vai lá, o adversário larga e Lúcio se aproveita.

Espantoso na melhora da qualidade de seu controle de bola, Lúcio lembra Dunga. Dois futebóis feios que aprenderam como funcionar.

Mario Avila também não é canhoto.


terça-feira, 16 de junho de 2009

O triunfo da mediocridade.

Uma nota rápida: os times do Brasileirão 2009 fizeram 6 jogos cada, para um máximo, portanto, de 18 pontos. A tabela mostra dois times com 14 pontos: Atlético Mineiro e Internacional.

Do terceiro lugar em diante, começa a mediocridade. E não é preciso descer muito. No quinto e sexto lugares, Santos e Fluminense já empataram mais que ganharam e, mais lá embaixo, vários times tem 4 empates em 6 jogos.

O placar não podia ser outro. Foram 36 vitórias e 24 empates. Se continuar assim, será o triunfo da mediocridade.

Mario Avila só tolera empate igual ou maior que 2 a 2.


sábado, 13 de junho de 2009

Futebol de praia

Eu gosto muito mais de futebol de praia. A bola é mais alçada, o controle é mais exigido. Jogador que joga muito na praia alça mais a bola. Nada daquelas linhas retas que fizeram a nossa alegria em 2002.

O melhor exemplo disso foi o quase gol do Botafogo nos 30 do primeiro tempo: cruzamento de Lucio Flavio, linda bola de cobertura de Fahel e Fabio Eller tira no último instante. Bola alta, bola alta, bola alta. É mais bonito.

Assim, Botafogo e Santos tinham tudo para deixar o torcedor feliz hoje. Ledo engano. Uma combinação desastrosa aconteceu no Engenhão: o Botafogo é um time com técnico, mas lhe faltam talentos individuais. O Santos até tem alguns talentos, mas o técnico Mancini não foi, e time sem técnico é só um monte de gente correndo.

O resultado foi justo, venceu o melhor conjunto. Ainda que sem brilho, o Botafogo chutou, chutou e chutou. Bola pra cima, bola pra fora, bola fraca.

Como o Santos nada fez e quem não faz leva, no segundo tempo, o esforço sistemático do técnico Ney Franco e sua limitada equipe renderam dois merecidos gols, bem no final do jogo.

O que vi não mostra nenhum campeão: o Botafogo precisa de mais elenco e o Santos, de uma estratégia. Nenhum dos dois vai muito longe desse jeito, e a mexida da tabela depois dos jogos de amanhã à tarde vai confirmar o que digo. Para meu desgosto, que prefiro muito mais o futebol de praia.

Mario Avila fica chateado quando o futebol de praia não funciona.



quinta-feira, 11 de junho de 2009

Meu time ganhou de novo


Eu já sabia. Antes do jogo o hino tocava na TV e mandei um torpedo: 'meu time vai ganhar de novo'. Depois de colocar o Uruguai no bolso, todo otimismo é pouco.

Não foi bem assim. O Paraguai veio que veio e Cabañas é o carrasco mais aborrecido do Brasil nos últimos anos: roliço e aparentemente hesitante, o camisa 10 do Paraguai deu o trabalho infernal de sempre, a ponto de derrubar Juan no drible e me assustar ao marcar primeiro: Elano pôs o pé na frente de uma bola fácil e nem Julio Cesar foi capaz de salvar o gol.

Silencio em São Paulo. Nem uma mosca. Só os motores lá fora. O Brasil faz um bom primeiro tempo, toca muito e finaliza muito. Faltou Nilmar. O menino entrou tímido e fez falta no bom conjunto. Robinho demorou, mas apareceu e, numa pernada exata e difícil, pôs uma reta nas redes de Justo Villar.

Silencio em São Paulo. Nem uma mosca. Nem um foguete. Ninguém mais torce pelo Brasil nesta terra? Recife abre um grito de estádio lotado pelos altofalantes no meio da sala. Robinho chupa o dedo. Vou pegar uma cerveja, feliz. Tempo.

O Brasil volta melhor, com Nilmar mais leve; e o jovem marcou, de novo sob silencio sepulcral de São Paulo. Mas melhor não foi o gol: foi a jogada do gol, com os dois jogadores, Nilmar e Robinho, oferecendo ao outro a oportunidade do gol. E não foi evento isolado: os jogadores trabalharam uns para os outros, sem preciosismo. E desta vez, havia gramado para Kaká correr.

Cereja do bolo, já perto do final, Lúcio, o Capitão mais feio do mundo, faz uma passagem inacreditavelmente rápida para o seu tamanho na ponta esquerda e Alexandre Pato erra, mas faltou pouco. O Recife faz o barulho que lhe marca: casa da Seleção. Torcedores fiéis, autos de resistência, os pernambucanos conhecem bom futebol.

Mario Avila gosta muito de ganhar duas vezes seguidas.


domingo, 7 de junho de 2009

Meu time ganhou


O que estarão a dizer? Me pergunto enquanto o radio toca depois do quatro a zero.

Torcedor que não pôde ir ao estádio, compro duas cervejas e refestelo-me. O que será? Dunga é correto, não faz bobagem; então, deve vir algo fechado o bastante e rápido o bastante.

O Uruguai valorizou a vitoria: para cima o tempo inteiro, não arregou jamais. Times tem que ser times: não faltou Uruguai e Julio Cesar teve que trabalhar sério - o goleiro goleiro. Meu sogro diz que existem goleiros goleiros e goleiros estapeadores.

Deu mais certo do que eu esperava. O meu time fez um gol logo - prejudicado pelo que, acho, foi um obstáculo posto à frente do Brasil: o gramado. A bola bateu no gramado, Gramado fez o gol.

Levanto-me para a geladeira e perco o gol de Juan. No replay não vale. Tempo.

O segundo tempo é um desafio para qualquer juiz. Brasil e Uruguai vão brigar - é destino, ninguém muda. O Uruguai faz o que sabemos: provoca e empurra. Se colar, colou. Pois aparece um juiz, Saúl Laverni. Rigoroso demais, também acho. Mas botou ordem num galinheiro difícil, expulsou, marcou, fez cumprir a regra, by the book. E ajudou muito o jogo: a bola andou o tempo todo, os times trabalharam forte - bola lá, bola cá. Fazia tempo eu não via isso.

E, sem Luiz Fabiano – por causa desse rigor do Juiz - o Brasil não se abalou e jogou do mesmo jeito.

O que estarão a dizer? A caça à cabeça do Técnico é um esporte nacional. Difícil é caçar a cabeça de um Técnico nessas circunstâncias.

Dunga sabe o que faz. É uma mola, se houver espaço, dispara. Se não houver espaço, fica ali, encolhida. Empata mediocremente de zero a zero, sem problemas. E espera a próxima, mola que é. O time brasileiro ganhou não porque não houvesse adversário. Todo mundo fez gol e o Brasil só não fez mais porque havia goleiro do lado de lá também, apesar de Gramado.

Mario Avila gosta muito de ganhar de goleada na casa do adversário, jogando com dez.