
Ninguém sofre maior ingratidão do que o goleiro. Ao atacante, resta sempre um novo cruzamento; ao meiocampista, sempre um desarme. O que resta ao goleiro?
Buscar a bola no fundo da rede. O espetáculo espetacular de duas defesas espetaculares seguidas é desarmado pelo barulho do plástico - ruaaaaaá! A bola escorre rede abaixo, geralmente com força.
É a adrenalina ao contrário, ou melhor, a adrenalina faltando. Gerúndio da derrota, tomar um gol é a pior coisa do mundo. E o goleiro personifica isso, sua cabeça baixa, seu esporro inútil.
Rogério Ceni apareceu hoje. Desde que saiu, o São Paulo é um problema. Pode assim um homem ser tão valioso? 74 dias depois, o São Paulo é um problema.
Não que não houvesse sinais e predições: tricampeão brasileiro embalado, uma hora há de cair. E Rogério vinha com lesões desde o começo do Campeonato Paulista.
Mas a falta de esprit de corps do São Paulo incomoda. Esprit de corps como força capaz de manter coeso um grupo; por objetivos comuns, por egoísmo tribal, por.
E chama a atenção: é possível um único homem - e um homem que administra o gerúndio da derrota - ser tão importante para o esprit de corps? Não faz sentido.
Saberemos. Rogério voltará no meio do Campeonato Brasileiro. E vamos saber que diferença fez em um time visivelmente abobalhado. Como se já não soubéssemos.
Mario Avila duvida que o São Paulo se resolva sem Rogério Ceni.

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