quinta-feira, 30 de julho de 2009

Quod erat demonstrandum.

O Atlético Mineiro foi ao Maracanã e perdeu de 3 a 1 do Flamengo.

O Grêmio foi ao Morumbi e perdeu de 2 a 1 do São Paulo.

O Vitória foi a Santa Catarina e perdeu de 4 a 0 do Avaí.

Então, quem tinha que se garantir na frente, vacilou. E quem estava atrás começa a fazer pressão.

Mario Avila começa a achar divertido o Campeonato Brasileiro.



quarta-feira, 29 de julho de 2009

Quem tem que ganhar mesmo?

O Vitória, o Grêmio e o Atlético Mineiro tem que ganhar.

É, pois é. Começou a conversa de gente grande. O Internacional e o Palmeiras fizeram o seu.

Então, antes de mais ninguém, o Atlético tem que ganhar do Flamengo. Se não, o Palmeiras leva o troféu que já esteve duas vezes debaixo do nariz do Galo e a mineirada deixou escapulir: descolar. Vai beirar o inacreditável, mas, no Maracanã?...

O Vitória tem que ganhar do Avaí em Santa Catarina...

E o Grêmio tem que ganhar do São Paulo no Morumbi...

Quanto mais Mario Avila olha, mais vê o vacilo do Galo.


domingo, 26 de julho de 2009

Três blocos na rua.

Bom, não adianta ficar entusiasmado, eu já devia saber. Ninguém tem espírito de campeão nesse Campeonato.

Então, não dá para falar em time - depois de 14 jogos se formaram três blocos; ainda próximos, mas certamente indicativos.

O primeiro bloco tem dois times, o Atlético Mineiro - que não fez o dever de casa e não conseguiu disparar na frente - e o Palmeiras, hoje o mais consistente, agradece a bobeada do Galo que, no alto da tabela, conseguiu perder em casa... francamente. Muricy é um Técnico de muita regularidade e recebe um time que ganhou 8 jogos em 14, com 12 gols de saldo. As chances de o Palmeiras dar certo são enormes.

O segundo bloco vai do Vitória até o Santo André. Tem cinco paulistas: Corinthians, São Paulo, Santos, Santo André e o incrível Barueri - que consegue a proeza de ter levado 20 gols e ainda ter um saldo de 10. E tem um único carioca, o Flamengo. A maior parte desses times vai ficar por aí mesmo e as distâncias dos primeiros começa a aparecer: o Grêmio, oitavo, já está a 7 pontos de distância dos primeiros. 7 pontos são duas vitórias e um empate. É possível, mas já é chão.

Nesse segundo bloco, Vitória e Internacional podem aguentar se ficarem espertos: são 4 pontos dos líderes, uma vitória e um empate. Dá para encarar, mas Corinthians, Goiás, Barueri e Grêmio estão na cola; e, até aqui, apesar da média de 3 gols por partida, ninguém aproveita as vantagens que tem. O problema está fora de campo?

Por último, do Coritiba até o Náutico é uma tristeza só. Tomaram 170 gols e o saldo é de 55. Gols contra.

A 13 ou mais pontos da linha de frente, esses times do terceiro bloco devem ficar abandonados na lanterna e virar saco de pancadas: Coritiba, Botafogo, Cruzeiro, Sport, Atlético Paranaense, Fluminense e Náutico. Pode-se esperar algo do Cruzeiro e do Fluminense, mas os dois tomam gols demais e tem que reestruturar as defesas senão não há ataque que dê jeito.

Mario Avila está desapontado com a falta de senso de oportunidade.


quinta-feira, 23 de julho de 2009

Finalmente, alguém descolou.

O Atlético Mineiro acaba de ganhar de 2 a 1 do Fluminense no Mineirão.

Demorou, mas alguém finalmente descolou na liderança. O Atlético Mineiro já perdera essa oportunidade no final de junho diante do Barueri. Desta vez, não deixou passar.

É um time trabalhador, esse Atlético. O futebol não é bonito. Mas é dedicado. Trabalhadores, persistentes, chatos até, os jogadores não esperam o juiz apitar, não cavam faltas. Levantam e continuam atrás da bola.

As próximas duas rodadas favorecem o Atlético: ganhará do Goiás e do Flamengo. Já o Palmeiras tem o Corinthians embalado pela frente e pode acontecer qualquer coisa.

O Galo tem Técnico, perde pouco, ganha muito, faz muitos gols e toma poucos.

Então, pela primeira vez, aparece alguém com pinta de campeão. Claro que ainda é cedo, mas o Galo é o primeiro favorito que dá as caras.

O Fluminense de Renato Gaúcho chegou a merecer o empate. Recebe o Cruzeiro em casa e vai ganhar. Mas perderá para o Palmeiras e continuará candidato ao rebaixamento por mais algumas rodadas.

Fred machucou-se. Pode ser bom para o Fluminense deixar de depender de um atacante que, anos depois, ainda não provou a que veio.

O que vimos hoje dá um certo alento aos tricolores cariocas. A culpa da derrota do Fluminense não é dos jogadores nem de Renato Gaúcho. O culpado foi Aranha.

Mario Avila já estava angustiado na espera de alguém aparecer com pinta de campeão.


domingo, 19 de julho de 2009

Feliz aniversário!


Barato, fácil de entender, viril, simples, divertido e saudável. Bem jogado, encantador.

Um bando de meninos se junta, levanta uns trocados, compra uma bola. O resto é um pedaço de chão, de cimento, de parque, de grama; e quatro tocos quaisquer. Um terreno esburacado serve, um quintal também.


E lá vão eles, quebrar o vaso da mãe, quebrar a janela do vizinho, quebrar o braço. Correr e gritar, bufando, atrás dela. Redonda, a bola entrega a forma mais comum do universo, gravidade manifesta.


Vinte e cinco marmanjos se juntam para correr e gritar, bufando. Um, eterno maldito, dita as regras. Dois, infartantes, gritam na beira das linhas. Vinte e dois correm atrás dela.


Em volta, alguns, centenas, milhares, milhões, bilhões. Inacreditáveis bilhões de corações aceleram, olhos que se movem, bocas que se abrem.


E, no meio de tudo, ela, redonda a antecipar as bocas redondas para soltar uma vogal. Essa aqui, também redonda.


São sete regras: metade pra cada lado; não vale por a mão na bola; não vale dar bordoada; saiu nas linhas laterais, volta com as mãos; saiu nas linhas de fundo, volta com os pés; se lançar atrás do último é impedimento; passou no meio dos tocos é gol. Acabou. Se for pelada, nem impedimento tem.


Essa simplicidade permite que se aprenda rápido e que o tempo seja gasto com o controle da bola, não com o cumprimento de rotinas. E o que sobra é o imenso e maravilhoso espaço do improviso.


No Brasil, isso foi levado às alturas porque o brasileiro dança, e dança samba. Meu time é o melhor do mundo porque improvisa e samba. Do improviso pode vir tudo.

Poucas regras, muito espaço - tudo é possível nesse mundo de noventa minutos. Tudo pode acontecer, tudo. É, sim, uma caixinha de surpresas.
Já viram o Barueri na tabela?

Mario Avila não sabia que hoje é aniversário do Sport Club Rio Grande.



quarta-feira, 15 de julho de 2009

CLIMA


Escrevo a menos de quatro horas da grande final da Libertadores.

Belo Horizonte vive a euforia do jogo, com ansiedade, corre-corre, expediente terminando mais cedo, tudo azul pra todo lado.

Um amigo atleticano me liga, “rogando praga”: o Cruzeiro perderá por 1 a 0, com gol aos 39 do segundo tempo, num frango do Fábio.

Epa, camarada, vira essa boca pra lá! O jogo será dificílimo, mas o Cruzeiro está encarando a partida com muita seriedade, confiança, e sem o clima de oba-oba que cobriu os torcedores e boa parte da mídia.

Vou a uma locadora e o vendedor me atende. Na saída, pergunto se ele é cruzeirense ou atleticano. Pela reação, já sei o time dele. Muito sério pergunta, antes de dizer o seu, pra qual time EU torço. Minto. “Ah, eu também sou atleticano”, diz, abrindo o sorriso.

O fato é que o Atlético lidera o Campeonato Brasileiro, o que desobriga os atleticanos do constrangimento da alegria alheia.

Hoje, todos têm motivo para sorrir.

Contra os fatos não há argumentos?

Essa é pra quem defende a permanência do técnico à frente de um time por muito tempo:

Silas treina o Avaí há 16 meses.

O time catarinense é o lanterna do Brasileiro.

Adílson Batista treina o Cruzeiro há 19 meses.

A Raposa está na final da Libertadores.

Fabrício Marques é jornalista.




domingo, 12 de julho de 2009

O futebol e a anta


10 rodadas depois, o Campeonato Brasileiro toma sua primeira forma.

Nada mau em gols: 295 em 100 jogos; quase 3 por partida.


O Internacional, desgastado por disputar mais campeonatos do que tem condição, começa a perder fôlego. Devia
ter empatado com o Atlético Paranaense. Se não olhar para a frente com calma, vai perder mais posições ainda. Acho bom ganhar do Fluminense, porque depois é Grêmio e São Paulo.


Em São Paulo, com Luxemburgo e Muricy desempregados, a obsessão da imprensa é empregá-los. E, depois de perder de 6 a 2 para o Vitória, agora é o emprego de Mancini no Santos que está a prêmio, segundo os jornalistas. Nem mencionaram que os oito gols subiram bastante a média de gols do campeonato - jornalista não tem senso de humor?

Como o Palmeiras segue aplicado no que faz, a ameaçada cadeira de Jorginho não é sequer mencionada. Era ela que estava a prêmio semana passada. Jornalista não tem memória?


Grata surpresa é o Grêmio, em sexto e subindo, com um saldo de 7 gols. Ganhou do Corinthians com gols de
reservas e vai ganhar do Coritiba quarta-feira. Em campeonato de pontos corridos, time tem que ter banco.

O Barueri segue em quinto, apesar de tomar gols demais - o que pode custar caro no médio prazo. Para principiante, vai muito bem, obrigado. Enfrentará Santos, Náutico e Flamengo: ganha dois e perde um.

Dos quatro próximos jogos do Vitória, vem dois difíceis e dois fáceis. Se vencer três dos quatro, permanece lá na frente. Mas isso quer dizer vencer o Corinthians no Pacaembu ou o Atlético Mineiro no Barradão...


Hoje, o Campeonato está para Atlético Mineiro e Palmeiras. E o Grêmio pode encostar. É isso.

A anta é o Cruzeiro, que não aprende mesmo. Aposta todas as fichas na Libertadores e não tem banco. Vai para a boca aberta da Série B e ficou, depois de hoje, com a obrigação de ganhar do Estudiantes - o que tensiona o clima. Essa gente não aprende. Dez jogos já são 26% do Campeonato.


Mario Avila espera que o Atlético Mineiro preste atenção no Internacional e no Cruzeiro e avalie bem o que vai fazer com a tal Copa Sulamericana.


quarta-feira, 8 de julho de 2009

Quanto vale um gol?

Fred fica nervoso com a falta e manda o Juiz plantar batatas. Esquece-se que a única pessoa que pode mandar o Juiz plantar batatas é a Torcida.

O Juiz, claro, manda Fred tomar banho. O Fluminense vinha embalado para empatar com o Corinthians por 3 a 3 e, do nada, viu-se com dez em campo.

A posse de bola foi 60% do Fluminense e ainda assim o Corinthians ganhou de 4 a 2. Ronaldo Fenômeno fez 3. Fred não fez nenhum.

Fred jogou no Cruzeiro antes de ir para a Europa. Em La Plata, na mesma hora, o Cruzeiro tem Fábio e o Estudiantes tem Veron. O Cruzeiro empata na casa do adversário, sem gols. Sem gols porque o goleiro Fábio foi jogar e jogou bem. As primeiras defesas do primeiro tempo fizeram toda a diferença.

Como fizeram diferença os primeiros gols do Corinthians no primeiro tempo.

Quem sabe os outros times acordam para a importância do Brasileirão depois de hoje: - O que repercutiu mais?

Mario Avila, Fábio e Ronaldo sabem que futebol é gol.


Preste atenção nesses jogos


Quinze pras dez da noite. O rádio pede Tevez de volta. Quarta-feira, 8 de julho.

Preste atenção nesses jogos:

O Palmeiras ganha do Náutico.

O Barueri ganha do Coritiba.

O São Paulo e o Flamengo se embolam, e isso não faz diferença.

O Internacional empata com o Atlético na Baixada.

O Cruzeiro embalado ganha do Atlético no Mineirão.

O Vitória ganha do Santos.

Lá vão Palmeiras, Barueri, Cruzeiro e Vitória, não necessariamente nesta ordem.

No rádio, a torcida do Corinthians espreme o Fluminense. Vale o quinto lugar.

Mario Avila acaba de conversar com Mãe Diná.



domingo, 5 de julho de 2009

Nem eu te ligo, nem você me telefona


Libertadores, Copa do Brasil, Sulamericana, Brasileirão. Lá no final, com a boca aberta, a Série B.

Não deixa de ser emocionante um monte de Clubes e um monte de Campeonatos. Tudo valendo tudo, todos os jogos são importantes.

Quanto vale o Brasileirão? Diante do Tiíulo e das implicações do Título, os Dirigentes conversam com os Técnicos, dão ordens; os Técnicos fazem o mesmo, conversam com os Jogadores, conversam; os Jogadores fazem o que fazem, jogam.

Esse negócio de expressinho, segundo time, reservas do Cruzeiro, preservar. É conversa de boi que dorme. O Brasileirão é vinte times que disputam quatro vagas e um título - mais quatro vagas que um título.

Regulam a força física em cada jogo, a despeito das estratégias e principalmente das táticas. Precisam de dois escretes cada um. Já que disputam dois campeonatos cada um.

Vinte times, dois escretes, onze jogadores. Quatrocentos e quarenta jogadores de nível nacional. E Técnicos à altura. Hum...

O resultado, vamos esperar. O Cruzeiro vai à final da Libertadores com chances imensas. No Brasileiro, joga com os reservas, perde para o Goiás de 1 a 0 e fica lá atrás, no 13. Está certo?

Falta entrar na conta do Brasileirão a Sulamericana 2009: os dois Atléticos, o Goiás, o Coritiba, o Vitória e os três cariocas Flamengo, Fluminense e Botafogo. Afinal, que campeonato é este?

Este Campenonato é todos, dirão os mais exigentes. Oito times do Sulamericano e o Cruzeiro da Libertadores tem desculpa para perder. Afinal, disputam outro Campeonato também, o escrete é limitado e ninguém é de ferro.

Mario Avila espera ansioso o Campeonato Nacional começar.




quarta-feira, 1 de julho de 2009

Os três manos

O título do Corinthians desta noite tem três donos. E tem uma importância rara.

O jogo mesmo foi feio. O Internacional já entrou instável - mais propenso ao antigo e bruto futebol gaúcho que fez a fama dos paraguaios, do que a um futebol que sabe do que precisa: gols.

Este Internacional de hoje não é candidato a Campeão Brasileiro 2009, mesmo possuidor de um dos melhores elencos; mesmo possuidor de talentos como Tyson e Neymar, e de guerreiros como o argentino Guiñazu e Magrão. Não tem espírito de campeão.

O que faz voltar ao primeiro dono do título de hoje: Mano Menezes. Fez duas coisas, e fez bem feitas.

Primeiro, construiu com pouco - desde 2008 na série B: pôs para suar um elenco jovem, inexperiente e medíocre.

Segundo, formou um grupo, não muito brilhante, mas um grupo. Onze que jogam juntos. E incluiu com qualidade nesse grupo não muito brilhante uma estrela.

O segundo dono é outro mano: Felipe. Não é de hoje que a boa zaga do Corinthians tem seu apogeu debaixo das traves. Felipe fez boas defesas, ainda que espetaculosas demais; especialmente duas no primeiro tempo. Gols que teriam mudado a história do jogo a favor do Inter.

E por último, o terceiro dono: Ronaldo. Lento, sobrepesado, o Fenômeno não se faz de rogado. Tem humildade para admitir que é carregado pelos colegas e tem experiência de sobra para virar bolas em momentos cruciais. Nele, começaram os dois gols. E pôde, coisa incomum, desperdiçar outros dois.

Assim, esses três manos fizeram não a noite, mas o caminho do Corinthians até aqui. Vai o Timão comemorar o Centenário classificado para a Libertadores.

A importância rara? - Sair do lodo que foi a relação com Kiavash Joorabchian e, a despeito de todas as dificuldades, chegar até aqui. Não tem time para ser Campeão Brasileiro, mas assistir a um caminho de elevação moral não é pouca coisa.

Mario Avila gosta de ver um homem de moral levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima.