domingo, 19 de julho de 2009

Feliz aniversário!


Barato, fácil de entender, viril, simples, divertido e saudável. Bem jogado, encantador.

Um bando de meninos se junta, levanta uns trocados, compra uma bola. O resto é um pedaço de chão, de cimento, de parque, de grama; e quatro tocos quaisquer. Um terreno esburacado serve, um quintal também.


E lá vão eles, quebrar o vaso da mãe, quebrar a janela do vizinho, quebrar o braço. Correr e gritar, bufando, atrás dela. Redonda, a bola entrega a forma mais comum do universo, gravidade manifesta.


Vinte e cinco marmanjos se juntam para correr e gritar, bufando. Um, eterno maldito, dita as regras. Dois, infartantes, gritam na beira das linhas. Vinte e dois correm atrás dela.


Em volta, alguns, centenas, milhares, milhões, bilhões. Inacreditáveis bilhões de corações aceleram, olhos que se movem, bocas que se abrem.


E, no meio de tudo, ela, redonda a antecipar as bocas redondas para soltar uma vogal. Essa aqui, também redonda.


São sete regras: metade pra cada lado; não vale por a mão na bola; não vale dar bordoada; saiu nas linhas laterais, volta com as mãos; saiu nas linhas de fundo, volta com os pés; se lançar atrás do último é impedimento; passou no meio dos tocos é gol. Acabou. Se for pelada, nem impedimento tem.


Essa simplicidade permite que se aprenda rápido e que o tempo seja gasto com o controle da bola, não com o cumprimento de rotinas. E o que sobra é o imenso e maravilhoso espaço do improviso.


No Brasil, isso foi levado às alturas porque o brasileiro dança, e dança samba. Meu time é o melhor do mundo porque improvisa e samba. Do improviso pode vir tudo.

Poucas regras, muito espaço - tudo é possível nesse mundo de noventa minutos. Tudo pode acontecer, tudo. É, sim, uma caixinha de surpresas.
Já viram o Barueri na tabela?

Mario Avila não sabia que hoje é aniversário do Sport Club Rio Grande.



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