O título do Corinthians desta noite tem três donos. E tem uma importância rara. O jogo mesmo foi feio. O Internacional já entrou instável - mais propenso ao antigo e bruto futebol gaúcho que fez a fama dos paraguaios, do que a um futebol que sabe do que precisa: gols.
Este Internacional de hoje não é candidato a Campeão Brasileiro 2009, mesmo possuidor de um dos melhores elencos; mesmo possuidor de talentos como Tyson e Neymar, e de guerreiros como o argentino Guiñazu e Magrão. Não tem espírito de campeão.
O que faz voltar ao primeiro dono do título de hoje: Mano Menezes. Fez duas coisas, e fez bem feitas.
Primeiro, construiu com pouco - desde 2008 na série B: pôs para suar um elenco jovem, inexperiente e medíocre.
Segundo, formou um grupo, não muito brilhante, mas um grupo. Onze que jogam juntos. E incluiu com qualidade nesse grupo não muito brilhante uma estrela.
O segundo dono é outro mano: Felipe. Não é de hoje que a boa zaga do Corinthians tem seu apogeu debaixo das traves. Felipe fez boas defesas, ainda que espetaculosas demais; especialmente duas no primeiro tempo. Gols que teriam mudado a história do jogo a favor do Inter.
E por último, o terceiro dono: Ronaldo. Lento, sobrepesado, o Fenômeno não se faz de rogado. Tem humildade para admitir que é carregado pelos colegas e tem experiência de sobra para virar bolas em momentos cruciais. Nele, começaram os dois gols. E pôde, coisa incomum, desperdiçar outros dois.
Assim, esses três manos fizeram não a noite, mas o caminho do Corinthians até aqui. Vai o Timão comemorar o Centenário classificado para a Libertadores.
A importância rara? - Sair do lodo que foi a relação com Kiavash Joorabchian e, a despeito de todas as dificuldades, chegar até aqui. Não tem time para ser Campeão Brasileiro, mas assistir a um caminho de elevação moral não é pouca coisa.
Mario Avila gosta de ver um homem de moral levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima.

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