
Ontem à noite, eu não vi o jogo. São Paulo me engoliu.
São Paulo engole a gente sempre. O trânsito, os compromissos, o celular, a agenda. O Relógio.
São Paulo engole a gente sempre. O trânsito, os compromissos, o celular, a agenda. O Relógio.
Então, para ver não deu. Deu para sentir o jogo. Isso, sentir.
Venho no carro, venho no ônibus, no metrô. O Corinthians quase marca. Sente-se um "oooooo!".
Sente-se, não ouve-se. É mais como se o concreto tremesse delicadamente, um frêmito, um ligeiro ruído.
Um ligeiro ruído no concreto de São Paulo é o arrastar da barriga de um dragão no fundo de uma caverna. Você não sabe o que é, mas é, e é sendo.
Essa alma de concreto o futebol aqui tem. Ontem, foi do Corinthians. Alma surda, fosca. Mas alma.
Mario Avila sempre se impressiona com a capacidade de torcer do torcedor.

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