quarta-feira, 5 de maio de 2010

Manga voltou


Eu tinha dez anos de idade quando o Cruzeiro e o Internacional decidiram a final do Campeonato Brasileiro de 1975.

Era bem menino, e aquelas duas camisas eram a coisa mais impressionante do mundo; cada uma com sua impressionância.

Aquela camisa vermelha do Internacional, os Diabos Gaúchos. Figueiroa, Falcão e Bicudo.

E a camisa mais bonita de todas até hoje. Aquele azul vivo do Cruzeiro. Com as estrelas no peito. Eu poderia jogar pedra no padre por uma camisa daquelas.

Claro que eu era Cruzeirense. Claro que eu torcia apaixonadamente. Aos dez anos, futebol é paixão pura. Depois que a gente cresce, descobre que futebol é paixão pura.

Não me avisaram, inocente, que aquele Internacional era o Rolo Compressor quase invencível. Vinha de uma campanha temível. Não que o Cruzeiro fosse ruim. Raul, Palhinha, Piazza, Batata e Nelinho podem ser escalados hoje sem problema algum.

Mas o Inter era uma máquina mortífera. Fez um a zero e fechou, como só os gaúchos sabem fechar. E o Cruzeiro chutou muito. Especialmente Nelinho.

Mas havia, lá atrás, um Monstro Pernambucano. Ailton Correia Arruda. O Manga. E tudo o que Nelinho fez de certo, Manga anulou.

Meu coraçãozinho sofreu muito no segundo tempo, vendo Manga fechar, fechar e fechar o gol do Inter. Nunca mais torci pelo Cruzeiro. Mas aprendi o que um goleiro bom é capaz de fazer. Fui ser goleiro.

Manga voltou para o Brasil esta semana, depois de muito tempo no Equador. Vai trabalhar no Inter. Não é pouca coisa.

Mario Avila tem saudades de quando era criança e não sabia nada de futebol.

eu gosto muito de futebol.