sábado, 24 de julho de 2010

De Ijuí a Passo do Sobrado


Que o sujeito não muito esperto resolve ser jornalista todo mundo sabe. É falar umas coisas vagas - de preferência com palavras de muitas sílabas - e evitar tomar partido claramente. Baixa a margem de erro.

Ninguém muito esperto aceita um emprego onde você vai ter que falar de política e navegação espacial. De pesquisa no fundo do mar e balanço dos grandes bancos. E não sabe que pedaço do que você escrever vai de fato ser publicado.

Mas esse silêncio ensurdecedor sobre a pequena distância entre Ijuí e Passo do Sobrado espanta qualquer um.

Então, para suprir tão grave lacuna, lá vai:

De Ijuí a Passo do Sobrado são 302 km pela BR 287 - chamada Rodovia da Integração. Leva umas quatro horas.

Se você for pela BR 471, é um pouco mais longe. 331 km. Leva umas quatro horas e meia.

Mario Avila calculou antes a distância entre Ijuí e Passo Fundo.

eu gosto muito de futebol

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Um dia de fúria


Acabou, um mês depois, acabou. Se te dissessem que o resultado seria esse, você acreditaria?:

1 Espanha
2 Holanda
3 Alemanha
4 Uruguai
5 Argentina
6 Brasil
7 Gana
8 Paraguai

Três europeus, quatro sulamericanos e um africano. Faz sentido.

Assim como faz sentido o melhor jogador ser o uruguaio Diego Martín Forlán Corazo. Congratulaciones.

Do jogo de ontem, não falo muito. Parece que agora é sina de Copa do Mundo ter pancada no peito na final. A Holanda podia ter ido para jogar bola, teria ajudado bastante. Ficou tensa, o que foi inesperado depois da campanha que fez.

A final não foi boa e, infelizmente, coroou uma Copa do Mundo que não passará à história a não ser pelo título inédito da Espanha. Congratulaciones.

E pelo polvo.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Definitivamente eu não entendo mais nada


Eu já sabia o resultado de Alemanha e Espanha.

Tanto já sabia que nem parei para ver o primeiro tempo. Só assentei na frente da televisão no segundo tempo. Para comer um sanduíche, não para ver o jogo.

Claro que ia dar Alemanha.

E súbito, fico pasmo. A Alemanha não foi. Foram uns caras lá, vestidos de branco, correram, correram. Mas não faziam muita coisa.

O que ajudou a não acontecer nada. Porque os vermelhos da Espanha tocavam a bola para um lado e para o outro e chutavam a cada duzentos minutos.

Se não fosse a cabeçada de Carles Puyol, vindo de fora da área, com pontaria e força - quase um pontapé - não tinha era acontecido nada. Um porre.

Os jornalistas se dividiram em dois grupos: os que elogiavam a Alemanha e os que elogiavam a Espanha. Ninguém disse que o jogo estava um porre.

Os comentaristas que elogiavam a Espanha estavam muito felizes. Faz umas vinte Copas do Mundo que eles falam: a Espanha vem forte; este ano é da Espanha; a Espanha ganhou a copa da Europa; a Espanha começa com Es e termina com panha. Acabaram acertando.


Bom, ganhou a Espanha, que, ao menos, fez alguma coisa. Uma coisa, para ser mais exato.

E vão para a final dois europeus ainda não campeões do mundo. Não deixa de ser bacana. Mas a Espanha, na final... Definitivamente, eu não entendo mais nada.

Mario Avila acha que viu Mick Jagger na torcida da Alemanha.

eu gosto muito de futebol

domingo, 4 de julho de 2010

Sete técnicos para a Seleção em 2014


Sete técnicos para a Seleção Brasileira em 2014, em ordem alfabética:

1 Carlos Caetano Bledorn Verri
2 Diego Armando Maradona
3 Dorival Silvestre Júnior
4 Joachim 'Jogi' Löw
5 Luis Antônio Venker de Menezes
6 Luiz Felipe Scolari
7 Marcelo Alberto Bielsa

Mario Avila sabe que futebol é olhar para a frente.

eu gosto muito de futebol

sábado, 3 de julho de 2010

O melhor time da Copa


Se a Alemanha vai ser ou não Campeã do Mundo em 2010 é uma conversa.

Que a Alemanha é o melhor time da Copa do Mundo de 2010 é indiscutível.

Ainda faltam dois jogos e o jargão lembra que jogo de Copa é jogo de Copa. As tensões, as histórias, os recordes, o peso das coisas das midias e das ansiedades dos torcedores, dos próprios jogadores - afinal, o jogador foi uma criança que assistia tenso aos jogos de Copa do Mundo - todas essas coisas valem diferente nesse Torneio. Jogo de Copa é jogo de Copa.

Faltam dois desses jogos para a Alemanha.

O que o time da Alemanha fez hoje contra a Argentina foi único: defesa sólida, contrataque veloz, meio de campo sábio: quando segurar, quando avançar; quanto tocar para a frente, quando tocar de lado. A palavra não é outra, é sabedoria mesmo.

Diferente do que houve ontem entre nós e a Holanda, hoje a Alemanha ganhou porque jogou melhor. Ontem, o Brasil errou, errou, errou e entregou o jogo. Três erros: Julio Cesar, zaga sonada e Felipe Melo. Hoje não, hoje a Argentina caiu sem erros. Perdeu porque o adversário era mais poderoso.

Podem dizer que o terceiro gol da Alemanha foi fruto de erro da defesa Argentina. Não foi erro: somos humanos, nosso espírito se cansa.

Ao fundo, um tango. Don Diego baixa a cabeça. Fim do jogo, abraça seus guerreiros: - Ei, garoto, qual o problema? É assim que a vida se dá, é assim que a vida é. Um homem de moral não fica no chão. Maradona faz tango virar samba. Mágico sempre.

E vou além: não adiantava termos ganhado da Holanda ontem. Dessa Alemanha, ninguém ganha este ano. Só, como fez o Brasil ontem, se a Alemanha perder para si mesma. Sem errar, o Campeão tem nome.

Nos últimos minutos, Klose faz o quarto gol e dá uma cambalhota. Seu décimo quarto em Copas e se aproxima de Ronaldo, o Fenômeno. Klose e Ronaldo juntos: isto não é coincidência.

Definitivamente, o século XXI começou com esses dois Campeões: o Brasil de 2002 e a Alemanha de 2010. Olhem bem esses dois times e aprendam. É esse o futebol do futuro.

Mario Avila sabe que o novo sempre vem.

eu gosto muito de futebol.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Meu time perdeu


Have imperator, morituri te salutant!, registrou Suetônio há dois mil anos.

Escrevo estas mal traçadas com treze minutos do primeiro tempo. Olho a cara dela, a Holanda não é mais aquela. Recuada, tensa, já tomou um cartão do Juiz e um esporro do Robinho. Que, aliás, já fez um gol.

Contraria a expectativa de nós todos. Ainda faltam uns oitenta minutos, mas que é estranho a Holanda entrar assim, isso é. Se tomar o segundo gol no primeiro tempo, já era. E, vou falar grosso, se passar hoje, vamos para a final, com todo respeito por Uruguai e Gana.

Depois do gol, o jogo melhora. A Holanda avança e marca no campo de ataque. Lúcio comete seu primeiro erro na Copa. Falta. A Jabulani vai longe, longe.

O jogo está para o Brasil. Jogar em desvantagem no início do primeiro tempo é muito ruim. Qualquer peladeiro sabe.

O gramado está espantosamente feio e o Brasil espantosamente canhoto. Isso apaga um pouco Kaká e confunde as expectativas holandesas.

Meu time é superior, visivelmente. O Juiz não está à altura, meu time percebe e para de se preocupar com as pancadas holandesas, reclama pouco e avança, avança, avança. A defesa da Holanda abre a caixa de ferramentas.

Vai o primeiro tempo para o fim, a Holanda fez uma jogada boa, longa bola enfiada pela direita e só. Perdi a conta da ofensividade brasileira.

Li hoje de manhã que Dunga é muito querido pelos brasileiros. Havera de não ser. Campeão do Mundo, Capitão do Brasil. Sério e, ainda por cima, caçado pela Grande Imprensa. Uma mistura de campeão e mártir. Perfeito. Parece o Lula.

O camisa 11 da Holanda se joga. Falta. Um cruzamento da direita e a primeira falha de Julio Cesar. Gol bobo da Holanda.

Onze do segundo tempo, lá vamos nós de novo. Continua o mesmo jogo, Brasil melhor que Holanda, que erra passes e tudo e fez gol em nossa falha.

Há uma coisa da qual gosto muito no meu time: não ri quando perde gol. Perder gol é coisa muito séria. Time que ri depois de perder gol acha o que engraçado?

Não adianta: a defesa dorme de novo e a Holanda faz dois. Felipe Melo perde as estribeiras de novo e o Brasil joga com dez. Dunga não tem escolha, agora é atacar. Vem Nilmar para cima.

Dez minutos. Dez longos minutos antes de morrer. Três escanteios seguidos a nosso favor. Cada bola longa é uma tristeza, cada segundo, um sofrimento. Como torturar milhões simplesmente fazendo nada, é a tortura holandesa.

Quatro minutos. O Brasil esqueceu que é um time destro. Maicon, livre, se lamenta. Os contrataques holandeses fazem frio nas barrigas. Pô, meu, jogando com dez. Insistimos muito pelo meio. Os holandeses fazem um paredão alaranjado na cabeça da área. Lucio faz o que sabem os maduros: cava uma falta.

Dois minutos, Daniel Alves assoa o nariz, chuta na barreira.

Um minuto, a Holanda empata o duelo de clássicos em dois a dois. A placa levanta três minutos.

Três minutos. Uma tristeza triste entristece meus jogadores, entristece meu sofá, entendo que entristece a África inteira.

Achei que íamos sair da copa tungados. Não foi preciso, erramos, somos mais responsáveis pelo resultado que a Holanda. O que vamos fazer? Um gol e ir para a prorrogação com dez?

É, já foi, a Holanda quase faz três. Meu time perdeu.

Pronto. Os detratores terão o que pediram, finalmente. A cabeça de Dunga em uma bandeja de prata. Regozijem-se, pois.

Mario Avila está muito triste hoje.

eu gosto muito de futebol